Estava evitando falar sobre o Freixo. Tinha medo de tornar tudo muito pessoal.
Quando o conheci, Freixo era só (meu) professor de história. Já militante ferrenho dos direitos humanos. Foi com ele que entendi qual a diferença entre o poder de ação do estado e o da sociedade civil. Foi com ele que aprendi que preso não “consome 850 reais pra ter uma boa vida”, que “o negócio no Brasil é ser pobre” é discurso merda de classe médi(ocre)a e que ação social tem a ver com responsabilidade, não com demagogia ou discursos vazios. A ação é na porrada, amigo.
Foi com ele que aprendi que a vida é à vera. E que você só foge quando tá com medo. (E ele está com medo: filhos, mulher; ameaças de morte; quem não teria feito por menos?)
Comecei a panfletar pro Marcelo com uns 15, 16 anos (falha a memória). Pra vereador de Niterói. Não porque ele era meu professor. Mas porque sabia que era a coisa certa. Eu e minha turma organizamos as festas de campanha, arrecadamos grana, saímos às ruas pra conseguir apoio. Eram momentos de extrema alegria.
Não porque ele era nosso professor. Mas porque sabíamos que era a coisa certa.
O resto da história acontece sem mim. E vocês conhecem a trajetória política desse cara melhor que eu.
Outro dia, eu o reencontrei. Num shopping do Rio. Abatido, mas confiante – era a situação com os bombeiros que o afligia. “Um café?” “Dois!” Tratou-me como sempre (como “Rapha”, que era como me chamava). Perguntou-me sobre minha mãe (que conhece), sobre meus irmãos. Era o mesmo cara. Perguntei de novidades. Ouvi que ele se candidataria a prefeito do Rio nas próximas. E ouvi que a coisa andava mal. A milícia se movimentava muito rapidamente. O Estado não o ouvia.
Claro! Não há interesse. Ninguém espera que o azarão ganhe o páreo.
Falar de Marcelo Freixo é discutir minha formação política, moral; ética, acima de tudo. Falar de Freixo é saber que há ideais pelos quais vale a pena a luta; falar de Freixo é saber que o passo atrás é fundamental pra corrida à frente.
Falar de Freixo é ter a certeza de que ele vai voltar bem. E de que essa porra toda vai mudar. Logo e sem demagogia. Força, Mestre e Amigo!

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