Começo no clássico. É porque saio cantando essa canção por aí a torto e a direito mermo. Ligo alto, quando toca. E não olho pra quem me presta atenção na rua.

Nunca fui muito fã do Elvis. Camaradas que me perdoem, mas rei por rei sou mais o Roberto. Mas aí teve aquela vez (sempre tem aquela vez, em que do nada a gente se toca de tudo, e que a música faz sentido e tal e coisa).

Bem, a minha vez foi num tempo que remonta há uns dez anos. Eu me lembro de mim e mais quatro à mesa. Era uma mesa de pôquer, já de pano verde, até onde me recordo. E não havia pretensão maior na noite que perder uns trocados, que não apostávamos alto.

Em silêncio o jogo transcorria. Um silêncio respeitoso. A música que viera antes, num cd repleto de emepetrês e em shuffle, o impunha. Recebia as cartas que o da frente me entregava. Contava-as reticente um-um-um-um-um dois-dois-dois-dois-dois (cerveja)três-três-três etc. Mas sou de falar e assim resolvi quebrar os sounds of silence. Falei de uma tristeza. “Estou com uma tristeza; é que ela não me sai da minha cabeça e acho que vou ficar assim pra sempre.”

Daí, num daqueles momentos mágicos (adolescentes, me dirão, me detratarão, mas é isso, mágico, adolescente, dão no mesmo), a música do Elvis entrou na hora. Eu disse pra sempre e Elvis respondeu wise men say com sua voz grave. Cinco segundos de absolutos pesares e olhares penosos. O resto da noite em gargalhadas. Maldita engraçadíssima coincidência. “Coisa de cinema, cara. Muitengraçado.”

É. Eu olho pra trás. Coisa de cinema. Hashtagtruestorybro – e a vida não caminha tão diferente.