Eu sei, eu sei. É agora que me acusam de pronóstico e hipster; sai dessa. Esse negócio de rotular tá por fora. Panic é divertido e pronto.

Divertido e cheio de boas de referências. Não é toda música que se pode dar o desfrute de ter como título uma citação da mais corajosa e dolorida história de amor jamais contada: afinal, Lying’s the most fun a girl can have without taking her clothes off… é a resposta de Alice (Portman) ao pedido de Larry (Owen) em Closer – Perto demais: Alice, tell me something true! A isso, Alice, esmagadoramente, completa: But it’s better if you do. (Sim, outra música do Panic. Okay, eles realmente gostaram do filme.) À estética kitsch e teatral do clipe, junta-se uma letra perniciosa e sensual, movida a desejo e lascívia. I’ve got more wit, a better kiss, a hotter touch, a better fuck/than any boy you’ll ever meet, sweetie, you had me. Nada é mais adolescente que essa relação sádica com o ego. Nada é mais adolescente que o tesão de saber-se potente.

Cheio de ironia (So testosterone boys and hot-looking girls/Will you dance to this beat, and hold a lover close?), o clipe me faz lembrar todos os fracassos amorosos de que já participei. Que foram muitos, pra minha sorte. Vamos lá, fracasso é ótimo. Essa vida de vencer já não paga a conta. Quando os foras são muitos, invariavelmente, a gente acaba acertando. É uma vida de derrotas aquela de quem nunca fracassou. De quem nunca teve a sorte de afogar-se sete dias em lástimas pessoais profundíssimas antes de um previsível happy ending – em que você coloca sua foto no Facebook em legendas garrafais ESTOU FELIZ para que aquela desgraçada perceba que você está feliz sem ela. São os fracassos que antecedem os acertos. Que também hão de ser muitos.

A despeito de toda tragédia amorosa – amar é tragédia, inenarrável inescapável inevitável inenanável tragédia em muitos atos, teatro grego em composição cubista –, importa sempre que se diga isto, ao final: Tá tá. Foi bom. Mas acerto na próxima.

(Mesmo que não se entenda que amar é tentativa, nunca realização: o que importa é que o coração bata mais rápido, mais rápido.)